{"id":18350,"date":"2019-08-06T12:48:58","date_gmt":"2019-08-06T15:48:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.delioandrade.com.br\/?p=18350"},"modified":"2019-08-06T12:48:58","modified_gmt":"2019-08-06T15:48:58","slug":"instagram-e-a-rede-mais-prejudicial-a-saude-mental-do-usuario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dancabrasilia.com.br\/danca\/instagram-e-a-rede-mais-prejudicial-a-saude-mental-do-usuario\/","title":{"rendered":"Instagram \u00e9 a rede mais prejudicial \u00e0 sa\u00fade mental do usu\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n\nInstagram, com mais de um bilh\u00e3o de contas\u00a0cadastradas, o\u00a0Instagram\u00a0\u00e9 uma das principais redes sociais do mundo e a mais prejudicial \u00e0 sa\u00fade mental dos usu\u00e1rios, de acordo com o estudo da institui\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.rsph.org.uk\/about-us\/news\/instagram-ranked-worst-for-young-people-s-mental-health.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Royal Society For Public Health<\/a>. Mas por que a plataforma, que era considerada um passatempo, tornou-se vil\u00e3 para o psicol\u00f3gico dos pr\u00f3prios utilizadores?\n\n \n\nEm maio deste ano, a entidade de sa\u00fade p\u00fablica do Reino Unido entrevistou 1.479 pessoas, de 14 a 24 anos, e constatou que 90% delas utilizam redes sociais. Para esta parcela, o\u00a0<strong>Instagram<\/strong>\u00a0\u00e9 a plataforma que mais influencia o sentimento de comunidade, bem estar, ansiedade e solid\u00e3o, seguido das redes Snapchat, Facebook, Twitter e YouTube, respectivamente.\n\n \n\nDados da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pewinternet.org\/2018\/03\/01\/social-media-use-in-2018\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pew Research Center de 2018<\/a>\u00a0mostram que jovens adultos s\u00e3o os usu\u00e1rios mais ativos no Instagram: 64% das pessoas entre 18 a 29 anos possuem uma conta.\n\n \n\nSegundo o especialista em comportamento digital e s\u00f3cio da SEVEN Grupo Digital, Thiago Valadares, a exposi\u00e7\u00e3o dos jovens na web \u00e9 intensa. \u201cO jovem produz muito mais conte\u00fado e tende a usar a ferramenta de maneira excessiva, consequentemente ele fica muito mais exposto \u00e0s emo\u00e7\u00f5es\u201d, explica.\n\n \n\nO publicit\u00e1rio Lucas Alves, 28, sentiu na pele os efeitos negativos do Instagram. Ele possu\u00eda uma conta ativa desde 2012 e chegava a passar at\u00e9 cinco horas por dia procurando conte\u00fado. Dentre as preocupa\u00e7\u00f5es, postar fotos era uma delas.\n\n \n\n<strong>Ele lembra que come\u00e7ou a perceber isso quando viajava, porque j\u00e1 arrumava a mala pensando em como iria ficar a foto e a postagem.<\/strong>\n\n \n\nO sentimento de compara\u00e7\u00e3o era constante, mesmo com o mural repleto de fotos. \u201cEu via ali s\u00f3 as viagens legais das pessoas e isso come\u00e7ou a me deprimir, mesmo sabendo que aquilo n\u00e3o era 100% real. A impress\u00e3o era que minha vida estava num momento ruim, e no feriado de 1\u00ba de maio, eu decidi deletar o perfil\u201d, conta Alves.\n\n \n\nAl\u00e9m da compara\u00e7\u00e3o constante e a necessidade de se mostrar ao outro, soma-se um terceiro sentimento comum perseguido pelas pessoas \u2013 o perfeccionismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00f3prias fotos. Segundo o p\u00f3s-doutor em psicologia e professor da Casa do Saber Roberto Fernandes, muitos indiv\u00edduos fazem postagens para que o outro confirme sua viv\u00eancia.\n\n \n\nNo entanto, ele revela que esse fen\u00f4meno n\u00e3o surgiu com as redes sociais, elas apenas funcionam como meio de ampliar e alimentar o sentimento narc\u00edsico das pessoas. \u201cO Instagram est\u00e1 muito ligado \u00e0 necessidade de espelhamento. N\u00e3o basta viver, voc\u00ea precisa que o outro veja\u201d, esclarece o psic\u00f3logo.\n\n \n\n<strong>\u201cVida de Instagram\u201d<\/strong>\n\n \n\nUm feed com diversas fotos de viagens, cabelo sem\u00a0<em>frizz<\/em>, e \u00e0s vezes, at\u00e9 com um c\u00e9u mais azul, \u00e9 um cen\u00e1rio bastante frequente. A pr\u00e1tica \u00e9 t\u00e3o recorrente, que a express\u00e3o \u201cvida de Instagram\u201d tornou-se comum para falar sobre perfis que aparentam ter a vida perfeita.\n\n \n\nA pr\u00f3pria plataforma disponibiliza filtros para que os usu\u00e1rios possam retocar as suas fotos. Para quem gosta de ir al\u00e9m, op\u00e7\u00f5es de aplicativos criados exclusivamente para edi\u00e7\u00e3o de fotos n\u00e3o faltam no mercado.\n\n \n\nSegundo Valadares, a melhor forma de usar as redes sociais sem ser t\u00e3o afetado psicologicamente \u00e9 selecionar quem deseja seguir. &#8220;\u00c9 um local que o usu\u00e1rio pode escolher consumir o conte\u00fado apenas das pessoas que gosta; hoje \u00e9 possivel parar de receber publica\u00e7\u00f5es de algu\u00e9m sem dar\u00a0<em>unfollow<\/em>, ent\u00e3o a pr\u00f3pria ferramenta realiza melhorias para que voc\u00ea consiga se adaptar \u00e0quele mundo&#8221;, explica.\n\n \n\n<strong>Forjar a realidade no Instagram<\/strong>\n\n \n\nPara ganhar likes, seguidores ou apenas por simples divers\u00e3o vale tudo, at\u00e9 fingir a realidade nas redes sociais. No YouTube, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar in\u00fameros v\u00eddeos em que produtores de conte\u00fado simulam grandes viagens sem ao menos sair do lugar.\n\n \n\nNo Instagram, temos o exemplo das jornalistas do\u00a0<em>BuzzFeed LA,\u00a0<\/em>Lindsay e Jazzmine, que foram protagonistas de uma grava\u00e7\u00e3o com mais de 3,7 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es, na qual fingem passar quatro dias em Londres.\n\n \n\nO v\u00eddeo intitulado &#8220;Desafio: fingimos uma viagem para Londres no Instagram&#8221; mostra como elas convenceram seus seguidores de que estavam em outro pa\u00eds: fotos em aeroporto, museu, cabine telef\u00f4nica, casa de ch\u00e1, restaurantes, entre outros.\n\n \n\nAl\u00e9m disso, inclu\u00edram como regras postar 3 ou 4 fotos no feed e gravar stories diariamente.\n\n \n\n<strong>Blogueiras e as redes sociais<\/strong>\n\n \n\nEm 2017, a blogueira australiana Essena O\u2019Nei, excluiu mais de 2000 publica\u00e7\u00f5es de seu perfil no Instagram e alterou a legenda das 100 fotos restantes para mostrar a realidade por tr\u00e1s de cada clique. Al\u00e9m de alterar a descri\u00e7\u00e3o do perfil para \u201cSocial Media Is Not Real Life\u201d (M\u00eddia Social N\u00e3o \u00c9 A Vida Real).\n\n \n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cache.olhardigital.com.br\/uploads\/acervo_imagens\/2019\/08\/20190802171831.jpg\" alt=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><\/figure>\n \n\nA legenda da foto acima era: \u201cN\u00c3O \u00c9 VIDA REAL \u2013 tirei mais de cem fotos em poses similares tentando fazer com que minha barriga ficasse bem. Quase n\u00e3o comi neste dia. E gritei com a minha irm\u00e3 mais nova para que ela ficasse tirando fotos at\u00e9 que eu ficasse, de alguma forma, orgulhosa disso\u201d.\n\n \n\nNo mesmo ano, a blogueira brasileira Karol Pinheiro fez um v\u00eddeo no qual tamb\u00e9m critica a forma com que a \u201crealidade\u201d \u00e9 exposta na web. Intitulado \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=gCnF40bf_S0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A farsa da vida perfeita nas redes sociais<\/a>\u201d, Karol assume que estava viciada no Instagram e conta como o v\u00edcio era danoso para ela. \u201cQuando via meu perfil, eu ficava mal. Pensava \u2018meu Deus, eu n\u00e3o tenho essas coisas, eu n\u00e3o tenho essas roupas, meu dente n\u00e3o t\u00e3o branco assim, eu n\u00e3o tenho essas bolsas; esse namoro \u00e9 perfeito e eu acho que o meu n\u00e3o \u00e9\u2019\u201d, lembra a blogueira.\n\n \n\nEla afirma que quando decidiu olhar o pr\u00f3prio perfil, percebeu que tamb\u00e9m n\u00e3o estava sendo honesta com seu p\u00fablico. Inclusive, lembra de uma das postagens na qual mostra um jantar rom\u00e2ntico feito pelo namorado, cuja legenda n\u00e3o descrevia a realidade &#8211; na verdade, o jantar foi motivado apenas porque o casal havia brigado no dia anterior.Ver essa foto no Instagram\n\n \n\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/BV8cPZODEIU\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dai eu chego em casa e descubro que o tal jantar tinha at\u00e9 dress code&#8230; sou uma garota de sorte!<\/a>\n\n \n\nUma publica\u00e7\u00e3o compartilhada por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/karolpinheiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Karol Pinheiro<\/a>\u00a0(@karolpinheiro) em29 de Jun, 2017 \u00e0s 5:56 PDT\n\n \n\n<strong>O fim das curtidas<\/strong>\n\n \n\nSegundo o\u00a0Instagram, a altera\u00e7\u00e3o foi feita para que o p\u00fablico foque mais no conte\u00fado e menos nas curtidas. Desta forma, eles pretendem diminuir a competitividade e combater o bullying.\n\n \n\nPara Valadares, a mudan\u00e7a foi positiva. \u201cA produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado tem que valer mais que a curtida e as pessoas precisam pensar em como esse conte\u00fado est\u00e1 afetando a vida dos outros e construindo sua imagem virtual. A persona digital hoje conta muito para as pessoas, e elas ca\u00edram em um\u00a0<em>looping\u00a0<\/em>de necessitar das curtidas\u201d, explica.\n\n \n\nEssa \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o? De acordo com Fernandes, com certeza n\u00e3o. Mas \u00e9 um passo importante, principalmente para diminuir a ansiedade de quem anseia pelas curtidas. \u201cN\u00e3o se trata s\u00f3 de postar, mas tamb\u00e9m da necessidade de receber um like, porque essa \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o daquilo que est\u00e1 sendo vivido\u201d, explica o psic\u00f3logo.\n\n \n\n*<em>Editado por Liliane Nakagawa<\/em>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Instagram, com mais de um bilh\u00e3o de contas\u00a0cadastradas, o\u00a0Instagram\u00a0\u00e9 uma das principais redes sociais do mundo e a mais prejudicial \u00e0 sa\u00fade mental dos usu\u00e1rios, de acordo com o estudo da institui\u00e7\u00e3o\u00a0Royal Society For Public Health. Mas por que a plataforma, que era considerada um passatempo, tornou-se vil\u00e3 para o psicol\u00f3gico dos pr\u00f3prios utilizadores? 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